Salvei a vida da minha mãe? | Como ser um Fisioterapeuta Empreendedor por Hugo Belchior

Olá,

Por estes dias vi um vídeo que se tornou viral e lembrei-me de um acontecimento pessoal.

Há alguns anos, estava em casa com os meus pais. Era altura do Natal, quando as mesas estão postas durante dias a fio.

Estava com o meu computador a trabalhar na sala de casa dos meus pais. Entrou a minha mãe e vi-a pegar numa garrafa de água com gás, apressada. Eu estava com auriculares e pensei em mantê-los e voltar a focar-me no que estava a fazer.

De todo o modo, instantaneamente, houve alguma coisa naquela imagem que me fez ficar mais alerta. Não percebi o quê, só sei que me impediu de voltar a colocar os auriculares, decisão que veio a ser crucial porque escutei um ruído estranho vindo da cozinha, para onde a minha mãe tinha ido de garrafa de água na mão.

Era um som estranho, como se fosse um cano entupido (estranho, mas é verdade), um cano entupido por onde se está a tentar meter água mas que devolve essa água. De novo, pensei em voltar a pôr os auriculares mas, a tal sensação de desconforto voltou e decidi levantar-me e ver o que se passava.

Dei com a minha mãe, e tentar beber água (erro grave) mas a água teimava em não entrar. A minha mãe estava agarrada à bancada da cozinha, desconfortável. Perguntei-lhe o que se passava e balbuciou que estava engasgada, nuns sons atrapalhados.

Imediatamente entrei em modo ação: tirei a garrafa da mão da minha mãe, virei-e de costas para mim e tentei executar a manobra de Hamlich de forma decidida. Decidida mas errada, porque a fiz mal. Vi logo que estava a fazer mal. Parei 1 segundo, foquei-me, lembrei-me do Curso de Suporte Básico de Vida e voltei à carga. Logo na primeira manobra, aquilo que estava a ficar preso na traqueia da minha mãe saiu disparado! A minha mãe estava abalada mas já respirava sem dificuldade!

Brinquei com ela a dizer que só a tinha salvado porque era Natal e tal, para alivar a tensão do momento e, só depois, me deixei ficar nervoso. E fiquei! Fiquei a pensar se a minha mãe, sozinha, teria consegui expulsar o pedaço de alimento que a estava a querer sufocar. Fiquei a pensar o que teria acontecido se tivesse postos os auriculares. Fiquei a pensar como seria se não soubesse, ainda que pouco mais do que na teoria, o que era isso da manobra de Hamlich!

Estas coisas não acontecem só aos outros. E é por isso que não consigo conceber que não se tenha, no mínimo, um Curso de Suporte Básico de Vida.

E se trabalhar no Desporto, onde as emergências são mais frequentes, pondere bem se sabe o suficiente ou se não devia aumentar as suas competências. Uma boa solução para estar mais bem preparado é o curso Emergência no Desporto, do Dr. Luís Lima, médico da Federação Portuguesa de Futebol.

Pior do que não conseguir ajudar alguém é um dia não conseguir ajudar por falta de algum conhecimento básico que facilmente podia ter adquirido.

Um abraço e cuidem das vossas mães.

 

 

🔴 Este texto é uma das partilhas de Hugo Belchior - mais info em fisioterapeutaempreendedor.pt

Partilhe esta notícia