Vacina para o novo coronavírus: quando, como e porquê? (COVID-19)

O que é uma vacina?

No Programa Nacional de Vacinação (DGS) pode ler-se que uma "vacina é uma preparação antigénios (partículas estranhas ao organismo), que administrada a um indivíduo provoca uma resposta imunitária protetora específica de um ou mais agentes infeciosos.

  • Os antigénios das vacinas podem ser vírus ou bactérias inteiros, mortos ou atenuados, ou fragmentos desses microrganismos, por exemplo, partes da parede celular de uma bactéria, uma toxina inativada, etc…
  • O antigénio escolhido para uma vacina deve ser “imunogénico”, ou seja, deve desencadear uma reação imunitária e não provocar a doença.
  • As vacinas são consideradas medicamentos, mas apresentam várias diferenças assinaláveis relativamente aos medicamentos clássicos", nomeadamente: i) a sua ação é preventiva e não terapêutica; ii) tem um benefício é individual e coletivo, sendo que o seu efeito não é percetível (já que impede a pessoa de contrair a doença); e iii) destina-se a indivíduos saudáveis (ainda sem a doença em questão)."

 

Como são produzidas as vacinas?

Também na página do Programa Nacional de Vacinação, pode perceber que "os processos de produção das vacinas são diversos:

  • Enfraquecendo ou “atenuando” o microrganismo através de culturas sucessivas (p. e. a vacina contra o sarampo, rubéola e papeira).
  • Extraindo do microrganismo as partes que desencadeiam a resposta imunitária (p. e. a vacina contra a meningite C)
  • Inativando (enfraquecendo) a toxina que o microrganismo produz (p. e. a vacina contra o tétano)

Nalguns casos, podem ser incluídas numa mesma vacina mais do que um microrganismo – são as chamadas vacinas combinadas (p. e. vacina contra a difteria, tétano, tosse convulsa)."

 

Já exista alguma vacina, pronta a ser usada na população mundial, para o novo coronavírus?

Não. Neste momento a China e EUA já têm uma vacina desenvolvida e já a administraram em alguns voluntários, contudo ainda estamos longe de poder fazer uma utilização massiva e segura de uma vacina para o novo coronavírus.

Com efeito, e segundo uma notícia publicada ontem (18/03/2020) no Público, "há mais de 40 candidatos a vacinas para o novo coronavírus (SARS-Cov-2) a serem desenvolvidas em universidades e empresas. O objectivo de qualquer vacina é estimular o sistema imunitário, dando-lhe uma “amostra” do agente causador de doença, para que este aprenda a reconhecer o invasor. Três tecnologias estão neste momento em cima da mesa: vacinas feitas com vírus inteiros, constituídas por proteínas do vírus ou contendo material genético viral. Mas, mesmo no cenário mais favorável, irá demorar pelo menos 18 meses a desenvolver e a testar uma vacina. E há boas razões para isso: é este longo caminho que nos permite ter confiança nas vacinas aprovadas para uso humano. Para conter o actual surto, a melhor aposta são os procedimentos habituais, tais como lavar as mãos com frequência e o distanciamento social. Mas isso não significa que a vacina não seja necessária".

Nessa mesma notícia é referido que o "novo coronavírus é parecido com o coronavírus da SARS, que causou uma epidemia global em 2002 e 2003. Ambos têm origem em morcegos chineses e ligam-se ao mesmo receptor nos pulmões humanos (uma enzima chamada ACE2). Os avanços na procura de uma vacina para a SARS são caminho andado para a covid-19. Além disso, os investigadores já conseguiram determinar a estrutura (a forma em três dimensões) da proteína do vírus que lhe permite ao ligar-se às células humanas e infecta-las (é a proteína da espícula, ou spike). Do lado das células humanas também já conhecemos com razoável detalhe a estrutura 3D do receptor (ACE2) onde se liga o vírus. E as sequências das várias amostras do novo coronavírus não têm apresentado grandes mutações, pelo que uma futura vacina poderá manter-se eficaz ao longo do tempo."

Leia a notícia "Como se faz uma vacina para o novo coronavírus?" do Público, na íntegra, e fique a conhecer as três tecnologias que estão neste momento a ser equacionadas (vacinas feitas com vírus inteiros, constituídas por proteínas do vírus ou contendo material genético viral) aqui

 

vacina para o novo coronavírus

 

NOTAS:

 
  • Mantenha-se informado e dê preferência a fontes fidedignas, sugerimos as seguintes fontes primárias:

               📌 Direção Geral de Saúde
               📌 SNS 24
               📌 Organização Mundial de Saúde
               📌 Coleção especial da Cochrane
               📌 Feed de informação e dados da Universidade de Oxford
               📌 Overview do Johns Hopkins e o seu tracking dashboard

               

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