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Publicado a 22/11/2017

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Lúcio Mauro Moreira

A tríade Treinador, Atleta, Pais…

Lúcio Mauro Moreira

Nos dias que correm, os jovens atletas de alta competição ou os jovens atletas que pratiquem desportos que requeiram muito tempo de treino/ competição (ex: Natação, Judo, Ténis entre outros), passam muito mais tempo com os seus treinadores do que com os pais e restantes familiares directos. Assim sendo o grupo família na tríade Família - Atleta/Filho – Escola, está muitas das vezes com o treinador englobado, sendo mais um elo da família, logicamente com as devidas distâncias.

Deve cumprir assim às Federações, Associações Desportivas e Clubes desportivos, um ainda maior acesso dos treinadores bem como dos pais dos atletas a formação específica e adequada na área da gestão de expectativas e desenvolvimento psicossocial

Quase todos os treinadores já lidaram com a frustração de um atleta que não atinge os resultados esperados, que pode advir de inúmeros pontos tais como: por incorrecta formulação de objectivos tanto por parte do treinador como do próprio atleta, por incorrecto planeamento, por falha do próprio atleta, que é humano,  ou ainda e cada vez mais nos dias de hoje, pela necessidade constante de apresentação de resultados que são hipervalorizados nas redes sociais fazendo por vezes de um mero resultado, banal, uma vitória “olímpica” e de um pequeno deslize uma total tragédia com tudo o que isso pode acarretar na formação, motivação e desempenho dos atletas.

  • Na maioria das vezes, quando o resultado atinge contornos de tragédia e catástrofe, tudo é questionado, escrutinado e  na grande maioria das vezes  ao lado do âmago de algumas das questões fulcrais!!
  • Estão os jovens atletas/filhos a ser escutados e observados nos sinais que vão dando tanto aos treinadores como aos pais?
  • Estão os pais em sintonia e concordância com a exigência que qualquer desporto de alta competição acarreta bem como com o estabelecido pelos treinadores e consequentes planos de carreira dos atletas?
  • Estão os pais a ser equilibrados na exigência e pressão que colocam aos ombros dos filhos servindo de rolo compressor quando deveriam servir de dispersores de pressão?
  • Têm noção os treinadores dessa mesma pressão exercida pelos pais?
  • Estão todas as outras áreas de desenvolvimento dos atletas/filhos a ser acauteladas?
  • Estará adequada a exigência desportiva com a exigência escolar e vice-versa?
Poderíamos escrutinar inúmeras causas mas foquemo-nos numa das principais:
  • Pais demasiado exigentes - Qualquer pai ou mãe gosta que os seus filhos tenham bons resultados escolares e desportivos, sobretudo se aliarem esse desempenho ao facto de serem adolescentes sem mácula são a perfeição, contudo, esquecem-se na maioria das vezes de olhar para o seu próprio passado académico, desportivo e social no momento em que alguma das premissas acima descritas cai por terra!
  • Terá sido o passado desportivo ou escolar  dos pais assim tão imaculado como o dos seus filhos?
  • Fará assim tanto sentido toda a pressão colocada, de tal forma que estes nem consigam respirar e que seja um tormento qualquer percurso do treino/competição para casa e de casa para o treino/competição?
  • Quantas das vezes os pais individualmente ou em conjunto observam o treino do seu filho?
  • Nas competições felicitam pelos feitos? Mas, sobretudo confortam ou criticam pelos resultados menos bons

Toda esta forma, na maioria das vezes inconsciente, de pressão pode ou tem quase sempre efeitos devastadores no bem-estar dos jovens atletas, no seu correcto descanso entre treinos e competições, limitando muitas das vezes os seus mecanismos de escape e de libertação de stress condicionando as suas prestações em qualquer uma das circunstâncias, de treino ou de competição, levando infelizmente a cada vez mais casos de abandono precoce.

É neste ponto que se torna crucial a junção da posição do treinador observador com a posição de treinador interveniente na mediação de todo este processo de alívio de tensões, pressões e observações familiares menos positivas.

Reveste-se de importância fulcral a observação e o diálogo com o atleta e posteriormente com os pais para entendimento dos motivos, explicação de dúvidas e aconselhamento comportamental visando sempre o objectivo máximo de formação dos jovens atletas no seu todo, nunca esquecendo que a prossecução do objectivo ou objectivos estará sempre condicionada pela tranquilidade e motivação dos mesmos.

 

CV: Licenciado em Educação Física e Pós graduado em Medicina do Exercício e Reabilitação Física

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