Entrevista a Glenn Withers (Bwizer Magazine)

Este artigo fez parte da 4ª edição da Bwizer Magazine – pode vê-la na íntegra aqui.

 

Glenn Withers é fisioterapeuta, diretor e fundador da Australian Physiotherapy and Pilates Institute (APPI), co-criador do famoso APPI Method e diretor dos cen­tros clínicos do grupo APPI. Estivemos à conversa com ele para o conhecermos melhor. Ficamos a saber como tudo surgiu, o que está hoje a acon­tecer e como será o futuro.

 

Como é que um fisioterapeuta australiano acaba por fazer uma carreira em Inglaterra?

Uma questão interessante. Eu e a Elisa viemos para Inglaterra com uma bolsa de estudos da Australian Physiotherapy Association, para investigar se o Pilates seria adequado para a reabilitação. E, com efeito, após um ano de um programa de treino em Pilates, tivemos a oportunidade de apresentar uma primeira versão do projeto no hospital local em que estávamos a trabalhar. A partir daí, percebemos a enorme necessidade que existia por um programa de reabilitação específico e co-meçamos a criar o Método APPI.


O Pilates entrou na sua vida antes da criação da APPI. Como e quando aconteceu? 

O Pilates entrou na minha vida através da co-fundadora da APPI, a Elisa Withers. A Elisa já incorporava o Pilates nas suas aulas de ballet clássico há muitos anos. Ora, quando sofri uma lesão nas costas a praticar desporto, a Elisa convenceu-me a tentar o pilates. Na altura, ainda frequentava a escola de fisioterapia e, para ser honesto, não tinha certeza que o pilates me ajudaria, mas como os mé¬todos mais “tradicionais” não estavam a dar resposta ao meu problema, comecei a experimentar o Pilates e a verdade é que o resultado foi excelente.


O que viu no Pilates que captou a sua atenção?

Eu vi um ótimo método de movimento, que permitia às pessoas alcançarem uma liberdade de movimentos que não era possível com os exercícios “tradicionais”. O uso de imagens visuais, do movimento como a principal ferramenta e da forma como o fluxo do movimento permite que a pessoa se sinta energizada, pareceu-me fantástico.


O Glenn e a Elisa transformaram o Pilates clássico em algo diferente. Que trabalho desenvolveram e o que resultou disso?

Apesar de reconhecermos, desde o início, que o pilates na reabilitação seria muito interessante, percebemos que este carecia de clareza e não respondia às mudanças no movimento em indivíduos após um episódio de dor. Portanto, revisitamos toda a evidência disponível sobre dor e movimento.

De facto, compreendemos que os desequilíbrios neuromusculares e a mecânica da lesão eram factores vitais. Vimos que no treino clássico muitos dos movimentos tinham alavancas demasiado longas e uma carga muito alta no disco vertebral, especialmente da parte inferior da coluna. Como resultado, não era indicado usá-los para muitos dos nossos pacientes em fisioterapia. Então, decidimos rever todos os movimentos com base em 3 aspectos:
     1) Dor – qual o papel da inibição da dor e da inibição dos reflexos, assim como quais os músculos que estão realmente a
trabalhar em cada movimento/ exercício.
     2) Patologia – avaliar sempre o impacto do exercício de pilates na patologia/ disfunção que o indivíduo apresenta. Como resultado criamos as indicações, precauções e contraindicações do método APPI.
     3) Função - decidimos que queríamos que o método APPI visasse primariamente a reabilitação dos pacientes para que estes atingissem a sua plena função. Não queríamos um método de treino que apenas garantisse um corpo tonificado. Portanto, analisamos cada exercício e tentamos vinculá-lo a um padrão de movimento funcional específico que ajudaria as pessoas a moverem-se melhor. Desta forma, cada exercício deve ser escolhido com um objetivo claro que é direcionado para as necessidades do cliente.

Entrevista a Glenn Withers (Bwizer Magazine)

Posto isto, nasceu a APPI. Em Portugal, é sobretudo conhecida pelo seu lado educacional, mas é muito mais do que isso. Pode apresentar-nos a instituição?

A APPI Healthgroup expressa-se em 3 dimensões: Educação, Clínicas e Produtos.
Educação – somos hoje uma das maiores instituições de formação em pilates no mundo. Anualmente, temos mais de 5000 pessoas nos nossos cursos e operamos em 22 países. Estamos a alcançar novos países a cada um ou dois meses. Também estamos a aumentar os nossos conteúdos online e a criar uma plataforma de aprendizagem brilhante, para que pessoas em todos os lugares do mundo possam aceder à grande variedade de cursos, aulas e DVD’s que temos disponíveis para download. Atualmente, oferecemos cerca de 30 módulos/ cursos diferentes e, nos próximos anos, queremos disponibiliza-los na totalidade para todos os que a eles queiram aceder.
Clínicas - operamos das maiores clínicas em toda a Inglaterra: estão localizadas em Londres, Hampstead e Wimbledon. Cada local tem salas de tratamento privativas; um estúdio de Matwork, yoga e barre; um estúdio de reabilitação one to one; e um estúdio dedicado a aulas de pilates reformer. Alguns concorrentes têm instalações em mais locais, mas muito menores e com uma menor oferta de serviços. Cada local nosso oferece fisioterapia, pilates, massagem e aulas de movimento. Temos quase 40 médicos nos nossos centros, oferecemos mais de 100 aulas por semana, 17.000 aulas por ano, pelo que temos mais de 25.000 clientes por ano. Além disso, oferecemos serviços de fisioterapia e de pilates para o English National Ballet, já proporcionamos reabilitação de Pilates para o Tottenham Hotspur FC e Brentford FC, fisioterapia para a British Bobsleigh team, programas de pilates para o English Institute of Sport e programas de pilates à medida para o Manchester United, Manchester City e Arsenal FC.
Produtos – A nossa divisão de produtos é uma empresa especialista em produtos baseados em pilates que utiliza todo o nosso conhecimento clínico e de educação para fornecer uma variedade de pequenos produtos escolhidos a dedo, como livros, DVD’s e acessórios para o instrutor de classes ou aluno. Com efeito, na criação e gestão dos nossos centros, sentíamos que os pequenos equipamen-tos, como bolas, bandas elásticas, círculos, tapetes, tubos, meias e roupas eram superfaturados e que não tinham muita qualidade. Por isso, decidimos encontrar os melhores produtos, comercializa-los e cobrar um preço mais acessível. Todos os nossos produtos foram testados nos nossos estúdios durante meses, antes de os colocarmos no mercado, de forma a garantirmos qualidade e robustez no seu uso. Consultamos os nossos clí¬nicos para feedback e aconselhamento, para garantir que não vendemos nenhum produto que não esteja a ser usado nos nossos centros. Todos os produtos estão disponíveis online, através do nosso site ou dos nossos parceiros internacionais.


É verdade que quando abriu a sua primeira clínica, dormia lá? Como descreve esses primeiros momentos?

Ah, sim isso é verdade. Nós morávamos em Cambridge, uma cidade a uma hora de Londres. Quando decidimos abrir a clínica em Hampstead (as nossas primeiras instalações físicas), precisávamos de encontrar um lugar para ficar. Um amigo ofereceu-nos alojamento num apartamento num subúrbio próximo. Aceitámos logo a oferta porém, na primeira noite apercebemo-nos logo que não seria so-lução para nós. O nosso carro estava avariado, havia um mau cheiro nas escadas e ouvimos tiros durante a noite. Então, eu e a Elisa arrumamos as nossas coisas e dirigimo-nos para o estúdio em Hampstead. Éramos novos em Londres, investimos todo o nosso dinheiro no estúdio para o tornar rentável e, por isso, não conseguíamos alugar nenhum apartamento para viver. Assim, optamos por viver no estudio durante a sua renovação e o seu primeiro mês de abertura. Tomávamos banho no ginásio, comíamos comida de um furgão local (pelo que ficamos gravemente doentes depois de al-gumas semanas com a mesma comida!), E lá sobrevivemos até que pudéssemos pagar um apartamento para morar.

 

Quando começou, qual era o seu sonho para a APPI?

Uma boa pergunta. Honestamente, não planeamos muito. Eu e a Elisa apenas sabíamos que os fisioterapeutas deveriam ter uma versão do pilates mais detalhada e focada na componente clínica, com foco na anatomia e fisiologia. Queríamos criar algo único, algo focado na pesquisa e adaptado à indústria em que trabalhamos. Mas mais do que isto não planeamos. Apenas evoluiu. Éramos jovens, estávamos abertos a qualquer oportunidade, trabalhávamos duro, 7 dias por semana, cerca de 15-18 horas por dia e simplesmente continuávamos [penso eu!]

 

Montar uma clínica pode ser um passo lógico para um fisioterapeuta com um lado empreendedor, mas como é que a parte educacional da APPI ganhou vida?

Como mencionei anteriormente, o lado educacional evoluiu da nossa bolsa de estudos. Nós fizemos o “treino clássico” que, honestamente, adoramos. No entanto, vimos que muito do conteúdo teórico não estava ao nível do conhecimento de um fisioterapeuta. A anatomia era muito básica, havia muito pouca pesquisa sobre os movimentos, muito pouca ligação à dor e à patologia e pouquíssimo trans¬fer para a prática clínica. Mas claro que tudo isto é verdade, pois o objetivo do programa em questão não era a reabilitação, mas sim o uso na indústria do fitness com pessoas relativamente saudáveis.
Ora, eu e a Elisa sentimos que tínhamos ali uma grande oportunidade para criar uma versão à medida da fisioterapia, pelo que começamos a trabalhar até
hoje, sendo que atualmente temos um método maduro e que pode ser utilizado em diferentes contextos - desde a reabilitação até as abordagens de fitness e bem-estar.

 

Como foi passar de organizar os primeiros cursos em Londres para os muitos espalhados pelo mundo?

Tudo aconteceu organicamente. Com toda a honestidade, foi mesmo assim que aconteceu. O nosso primeiro programa internacional foi, na realidade, na Alemanha. Um fisioterapeuta inglês veio a um curso aqui em Londres, adorou e perguntou-nos se podíamos replicá-lo na Alemanha, onde ele vivia. Nós concordamos e logo este fisioterapeuta começou a organizar tudo. Assim, fui até à Alemanha para ministrar este 1º curso fora do Reino Unido. Mais tarde, eu e a Elisa estávamos a ir para a Austrália para visitar a família e decidimos iniciar o Instituto também na Austrália. A minha cunhada tornou-se a nossa primeira funcionária na Austrália e tudo começou a partir desse momento. Então, lentamente, país por país, as pessoas começaram a conhecer o nosso trabalho e a pedir-nos para levar o método ao seu país. Viajamos por todo o mundo a ministrar os nossos cursos e assim fomos crescendo. Agora, temos uma abordagem mais direcionada para o nosso desenvolvimento internacional e temos mesmo um membro na equipa dedicado exclusivamente a parceiros in-ternacionais e ao seu desenvolvimento.

 

Apesar de ser um país pequeno, Portugal é um dos maiores mercados da APPI. A que se deve este sucesso?

Sim, Portugal é uma das regiões mais importantes da APPI e a parceria com a Bwizer é altamente valorizada por nós. O sucesso em Portugal resume-se a alguns ingredientes simples, na minha opinião. O nosso programa é muito sólido – nós acreditamos fortemente que é o melhor do mundo. De facto, quando se tem um programa com tanta força e profundidade, se o parceiro também acreditar no mesmo, ele funcionará. O Hugo Belchior, o fundador da Bwizer, acreditava em nós. Acreditou no programa e comprometeu-se a ajudar-nos a crescer em Portugal.
Claro que isso foi difícil. Algumas pes¬soas tentaram copiar o que fizemos e isso foi um desafio. No entanto, eu e o Hugo mantivemo-nos fiéis aos nossos princípios e acreditamos que a qualidade e originalidade do método seriam bem-sucedidas. Assim, a APPI e a Bwizer trabalharam muito sem perder o foco e eu sabia que teríamos sucesso! O Hugo e a equipa Bwizer vêm a Londres regularmente para aprimoramos o projecto. Houve confiança mútua, muita crença no projeto e tentamos sempre manter a qualidade e assegurar que proporcionamos experiências educacionais world class education, em todos os momentos. De facto, assim que tivemos a base estabelecida, procuramos professores em Portugal, e agora temos uma brilhante equipa de trabalho, liderada pela sempre incrível Francisca Gomes – sem a qual não estaríamos onde estamos hoje.

 

O Pilates foi amado, odiado, elogiado e criticado ao longo do tempo. Em cada um desses momentos, a ciência foi usada como argumento. O que diz a evidência científica hoje?

Hoje, a evidência para o uso do Pilates é mais forte do que nunca. Há sempre discussão sobre alguns tópicos, no entanto, o uso do movimento como ferramenta de tratamento está a tornar-se cada vez mais claro na literatura. A ciência da dor, sugere cada vez mais que a chave para gerir e/ou diminuir a dor é o movimento normalizado. A pesquisa específica sobre o Pilates está ao nível mais alto de todos os tempos e há cada vez mais estudos a defender o seu uso. Um estudo recente da APPI sobre o Pilates na Corrida, realizado por Anna Law, mostrou grande eficácia do uso do Programa APPI na corrida. Estudos adicionais sobre lombalgia, cervicalgia, gravidez e hipermobilidade mostraram que o Pilates reduz a dor e aumenta a função, reduz ainda a incapacidade e melhora a auto-estima. Estou francamente empolgado com o crescimento da evidência no uso do pilates e fico feliz em ver o seu crescimento na literatura.

 

Os cursos das APPI não são exclusivos a fisioterapeutas, como alguns defendem. Porquê?

O programa de reabilitação da APPI começou por ser exclusivo para profissionais com formação na saúde de duração igual ou superior a 3 anos. No entanto, ao longo dos anos, tivemos tantos pedidos de pessoas no mundo do exercício e do movimento pilates para integrar o nosso programa, que vimos a necessidade de evoluir.

Para além disso, vimos que muitos dos nossos membros que trabalham no mundo da reabilitação apenas conseguiam oferecer um serviço e por pouco tempo nos hospitais ou centros de fisioterapia em que trabalhavam, pelo que, muitas vezes, tinham de referenciar os seus pacientes para outras clínicas, estúdios ou ginásios onde, na maioria das vezes,

os profissionais que ali trabalhavam não eram fisioterapeutas e, por isso, não seguiam a escola APPI – ora, isto causava muita preocupação nos nossos membros, pois temiam que os seus pacientes não tivessem o acompanhamento mais adequado.

Como tal, investi cerca de dois anos a desenvolver o nosso “comprehensive matwork program”. Este programa é para todos aqueles que não têm uma formação superior nas áreas da saúde e exercício; ora, acreditamos que este programa de fomação em particular, ajudar-nos-á a contribuir para uma melhor oferta de programas de exercício e rede de saúde, pois estamos a proporcionar formação em Pilates com foco na reabilitação a mais profissionais que assim ficarão aptos a atender às necessidades dos alunos/ clientes. Além disso, quando entrámos pela primeira vez no mundo do pilates, sentimos que muitas das escolas de ensino foram bastante “fechadas” sobre os destinatários do curso... Acreditamos, fortemente, na força do nosso programa e, como tal, decidimos permitir que qualquer pessoa com uma qualificação existente em Pilates participasse dos
nossos cursos. Cremos na partilha de conhecimento, cremos que quanto mais e melhor formação possuímos enquanto indivíduos, melhores os resultados para os nossos clientes. Então, hoje, temos o nosso programa de reabilitação/matwork para os fisioterapeutas e outros profissionais de saúde e exercício com formação superior e o nosso “comprehensive matwork program” para aqueles que não são deste contexto.

 

Qual é a relevância em fazer o exame de certificação da APPI?

O exame de certificação é uma parte vital do programa para realmente ganhar reconhecimento como um instrutor de pilates. Desde 1992, a palavra “Pilates” ou “Pilates Instructor” não é protegida. Ao fa-zer o exame de certificação, uma pessoa pode intitular-se “Instrutor certificado de Pilates da APPI”. Ora, isso dar-lhe-á um status ótimo na sua área, pois confirma que o indivíduo concluiu um programa de formação reconhecido. Além disso, quando se é certificado, podemos tornar-nos membros Star Pro da APPI e começar a usar o logotipo da APPI para aumentar ainda mais sua confiança na sua abor-dagem. Esta é uma ótima ferramenta de marketing e uma maneira realmente forte para aumentar a credibilidade do estúdio ou empresa.

 

A APPI tem outros cursos, alguns ainda menos conhecidos em Portugal, como o Pilates em neurologia ou o pilates para crianças, por exemplo. Qual é o processo de construção desses cursos e quais são as vantagens para os alunos?

O método APPI é agora usado em tantas, variadas e excitantes áreas que precisávamos criar uma formação estruturada para as mesmas. De facto, quando desenvolvemos um programa, passamos anos a refiná-lo nos nossos centros de tratamento, de forma a garantir que o mesmo tem resultados na população em questão. Aperfeiçoamos sempre o programa a partir dessa experiência clínica. Podemos também contar com a colaboração de um membro da equipa com experiência nessa determinada área (como a Laura Harris, uma fisioterapeuta pediátrica altamente qualificada com anos de experiência, que se juntou a nós para a criação do Pilates para Crianças).

 

Tem feito este percurso com a Elisa Withers, sua esposa e também fisioterapeuta e parceira de negócios. Como é trabalhar com alguém que está tão próxima de si na vida privada?

Honestamente, incrível. A Elisa é uma pessoa muito especial. De forma totalmente verdadeira, a APPI existe hoje por causa da Elisa. Foi ela quem se apaixonou em primeiro lugar pelo Pilates e me apresentou este fantástico método. De facto, a Elisa escreveu todas as primeiras versões dos programas e ainda hoje cria uma enorme quantidade de conteúdo.
Claro que às vezes era difícil porque nunca saímos do trabalho. No entanto, também nos apoiamos mutuamente, pres¬sionamo-nos e queríamos orgulhar-nos daquilo que juntos poderíamos fazer. Criámos este projeto, no qual estávamos completamente envolvidos um com o outro, mas em que desempenhámos papéis diferentes nesta “máquina” e isto simplesmente funcionou. Acreditámos sempre que o outro era a melhor pessoa com quem poderíamos trabalhar e nunca duvidamos disso. Encontrámos um equilíbrio que nos permite apoiarmo-nos em todos os aspectos da vida e dos ne-gócios. E hoje, com os nossos 5 lindos filhos, raramente conseguimos conversar sobre o trabalho em casa, o que é ótimo! Como devem imaginar, eles mantêm-nos muito focados neles e mal conseguimos conversar sobre temas relacionados com trabalho com todas essas “vozes” à nossa volta!

 

De todos os papéis que desempenha, professor, fisioterapeuta e empreendedor, tem algum favorito?

O meu papel favorito é o de marido e pai. É realmente. Sinto-me muito abençoado por ter a minha linda família e isso mantém-me ainda mais motivado e focado! Em relação ao meu mundo do trabalho, não tenho um papel preferido; eu amo a diversidade que a minha atividade profissional envolve. Claro que às vezes me pergunto se não seria mais fácil se me acomodasse e me dedicasse apenas a um deles [no entanto, quem disse que a vida foi feita para ser fácil!]. A verdade, é que se queremos conseguir alguma coisa, temos de trabalhar de forma árdua. E é isso mesmo que tentamos ensinar aos nossos filhos – trabalha duro e isso trará recompensas, mas se te sentares e esperares, as recompensas vão simplesmente “passar por ti”. Assim, amo a forma como sou desafiado de maneiras diferentes e
todos eles me levam a ser mais valioso no meu papel como líder desta organização.

 

Viaja muito, gere uma grande empresa em expansão, trata pacientes e, em casa, tem a sua esposa e 5 crianças! Como consegue equilibrar a sua vida pessoal com a profissional?

Não tenho a certeza que equilibre todas as variáveis da melhor forma, em todos os momentos. Mas acho que o segredo é priorizar muito. Se eu viajar para longe da minha família, tenho de garantir que vale realmente a pena e que levará ao crescimento do negócio, o que irá certamente beneficiar a minha família a longo prazo.
Envolvemos também os nossos filhos no negócio sempre que podemos e isso permite que eles entendam melhor o que fazemos. Por exemplo, os nossos dois filhos mais velhos, Jasmine e Xavier, são os modelos do manual do curso Pilates para Crianças.
Além disso, confio na minha ótima equipa e sou um abençoado por todas as pessoas que trabalham comigo terem uma enorme paixão e preocupação com o negócio, o que permite que eu e a Elisa pos-samos passar mais tempo com os nossos filhos e não estarmos presos ao escritório tanto quanto no passado.

 

Além de tudo isso, ainda consegue ser muito ativo e até já participou no Ironman. É crucial que alguém que trabalha com o Pilates esteja em forma?

Acredito que o exercício é a chave para se ser uma pessoa de sucesso. Seja nos negócios, na vida, na escola ou em qualquer outra coisa. Especificamente, o Pilates é um programa de movimento e sim, eu acredito que as pessoas envolvidas no ensino de pilates devem também praticar pilates. Acima de tudo, acredito que o exercício é bom em todas as suas formas e todos devemos praticar exercício e fazer desta prática parte da nossa vida diária. Considero também crucial que os pais estabeleçam bons hábitos de exercício para os seus filhos, pelo que quando participo no Ironman e em outras provas de triatlo, procuro inspirar os meus filhos.

 

O que podemos esperar de si e da APPI, no futuro?

Muito! Temos algumas coisas realmente interessantes a acontecer agora no nosso negócio. Estamos a expandir o nosso espaço em Wimbledon para criar um estúdio absolutamente lindo. Estamos a lançar o nosso novo programa, o Barrecontrol, um programa que desen¬volvemos em conjunto com o nosso Master Trainer dos Estados Unidos e a Dra. Kirsten Roberts, da San Diego Ballet Professonal; temos também novos produtos em lançamento, os novos DVD’s, classes online e muito mais para 2019!

 

Em Novembro, terá lugar em Londres, um evento da APPI muito importante. Gostaria de convidar os nossos leitores contando-lhes como será?

A cada dois anos, realizamos a nossa grande conferência de Pilates em Londres, no Reino Unido. Este é um evento muito especial no calendário de pilates, é um momento de partilha de conhecimento por excelência. Designamos esse evento por “One Goal”. Trata-se de uma conferência de toda comunidade Pilates, e não apenas da nossa comunidade APPI, pois acredito que precisamos de mais momentos de partilha de conhecimento dentro da indústria do Pilates e Movimento. Será um momento onde não existem as barreiras tradicionalmente impostas pela escola de Pilates onde cada uma fez a sua formação!
Portanto, neste evento, convidamos treinadores e mestres de todas as outras grandes escolas como Balanced Body, do Stott, do Peak, do MK Pilates, do Alan Herdman Pilates, co-fundador do Bodycontrol Pilates Gordan Thompson e muitos outros excelentes professores, incluindo os nossos próprios instrutores APPI. O evento de 3 dias começa com um workshop pré-conferência conduzido por mim e pela co-fundadora da APPI, Elisa Withers. Os 2 dias seguintes envolvem uma enorme variedade de emocionantes sessões: temos sempre 4 sessões a acontecer em simultâneo e cada participante pode escolher. Com efeito, apresentamos sessões baseadas na patologia, equipamentos, movimentos e sessões mais focadas na componente clínica. É realmente um evento que qualquer envolvido em pilates ou movimento deve participar. Nos últimos anos, organizamos uma versão menor deste evento chamada “APPI on Tour” e é este evento que esperamos trazer para Portugal num futuro muito próximo.

 

Deixe uma mensagem à família portuguesa da APPI.

Obrigado por tornar a APPI o programa número 1 de formação em pilates clínico, em Portugal. Estou ansioso por aumentar o número de programas/ cursos que oferecemos em Portugal e ver a APPI crescer. Espero poder lançar em breve o nosso “comprehensive program” e todos os nossos outros módulos. Obrigado à Bwizer pelo apoio e por ser um grande parceiro. Finalmente, para todos vocês que iniciaram a vossa jornada em pilates connosco, estou ansioso por encontra-los em eventos futuros. Recomendo vivamente que concluam o programa até à certificação e usem o nome da APPI para melhorarem a vossa reputação e posição dentro da comunidade.

Posso garantir que nunca pararemos de trabalhar para melhorar o nosso programa e esperamos que vocês aproveitem todas as experiência que tenham connosco.

 

Este artigo fez parte da 4ª edição da Bwizer Magazine – pode vê-la na íntegra aqui.

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