Exercícios Corretivos | Por Nuno Cerdeira

Há uns tempos atrás, entrei no gabinete de avaliação física quando, subitamente, uma colega de trabalho diz-me que tenho um jogador de futebol à minha espera há mais de 30 minutos.

Olhei para o relógio e achei estranho. Afinal, tinha chegado 30 minutos antes e alguém tinha chegado 30 minutos antes de eu ter chegado. Recebi o atleta e percebi rapidamente o porquê do seu acto madrugador. Estava desesperado: – Disseram-me que o meu joelho esquerdo está “em papa”!

Ouvi atenciosamente para tentar perceber como se faz “papa de joelho”, até que ele me disse: – O que me disseram era que a rótula devia mudar de sítio! Em vez de estar deslocada para a direita devia vir para o centro. Pode ajudar-me?”

Exercícios Corretivos 1
Exercícios Corretivos 2
Exercícios Corretivos 3

Eu disse que não. E ele logo me interrogou: – Não?? Ao que eu concluí que não dessa forma mas, de outra bem mais simples.

Tal como este exemplo bem recente supracitado, para os mais distraídos, as palavras que servem de título a este artigo podem induzir em erro. De facto, não é anormal ouvir dizer que “os exercícios corretivos servem para colocar “coisas” que estão fora do sítio no seu sítio normal”. Não, não é esse o propósito.

Quando falamos em exercícios corretivos, não estamos a dizer que vamos movimentar estruturas corporais já cimentadas. Falamos, então, de um conceito que tem como base uma avaliação física que assenta, em boa parte, pela verificação do estado mobilidade, estabilidade e força corporal, assim como, nas possíveis assimetrias que daí possam ocorrer para melhorar a qualidade de movimento do indivíduo, diminuindo o seu risco de lesão.

Para esclarecermos melhor esta temática, tomemos como exemplo o caso da mobilidade ou da falta da mesma. Se um indivíduo que quiser pegar num prato para arrumá-lo numa prateleira detiver mobilidade reduzida na cintura escapular, esse movimento poderá sobrecarregar outras estruturas corporais, como a zona lombar ao estender (Hiper- extensão do tronco) a mesma para lá da amplitude natural de movimento a que esta está talhada.

Por isso, há determinadas estruturas corporais que devem ter um certo grau de mobilidade para possibilitar a execução dos padrões de movimentos básicos inerente à espécie humana (ex: caminhar, agachar ou empurrar), sendo todas as tarefas inerentes ao movimento repartidas com lógica para que haja equilíbrio corporal na distribuição, absorção e dissipação de forças.

Rapidamente percebemos então, que a qualidade de execução dos movimentos é peça essencial do puzzle da saúde e bem-estar e do alto rendimento.

A correcção no exercício passa pela melhoria da sua execução em todos os momentos do treino, implementando novos “caminhos” neuro-musculares para efectuar o movimento/exercício que já poderia fazer parte da rotina com o máximo de controlo e segurança.

Se aliarmos a avaliação periódica para mensurar o que se melhorou e o que ainda se pode melhorar, temos uma receita de sucesso capaz de diferenciar o profissional de desporto dos demais. Desta forma, facilita-se grandemente a especificação periodizada do treino, assegurando-se a intervenção que se deve fazer e seu momento certo para melhorar os processos do atleta/aluno e prevenir eventuais lesões.

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