Esta entrevista fez parte da 2ª edição da Bwizer Magazine – pode vê-la na íntegra aqui.
Artur Sayal tem 34 anos e é natural da Ilha Terceira. Deixou os Açores em 2002 para estudar, tendo feito a sua licenciatura em “Condição Física e Saúde no Desporto” na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, onde atualmente é Professor convidado no módulo de Cross Training.
Trabalha no fitness há 11 anos, iniciou a sua atividade como Instrutor de Aulas de Grupo. Ao longo do seu percurso passou por cargos de coordenação e direção técnica.
Há sensivelmente 6 fez um upgrade e uma especialização na sua formação, dedicando-se muito mais ao Cross Training. Hoje, mantém o seu trabalho de Personal Trainer, mas é também Coach, atleta e formador Bwizer em Cross Training. Hoje o Cross Training faz parte das 24 horas de todos os seus dias!
É uma pessoa muito apaixonada pelo exercício e motivada para fazer a diferença na vida dos seus alunos. Disciplina e foco são, sem dúvida, marcos da sua personalidade.
Por tudo isto, fomos visitá-lo a Lisboa à Box de CrossFit® onde habitualmente trabalha, onde tivemos também a oportunidade de conhecer as histórias de 3 dos seus alunos. Aqui, desvendaremos apenas um pouco desta conversa.
Como conheceu o Cross Training?
Nada acontece por acaso. Eu era diretor técnico de um ginásio convencional e saturei-me da segurança do contrato de trabalho com as 40 horas semanais e 16 aulas de grupo por semana e arrisquei na 1ª cadeia de ginásios Low Cost do país. Fui dos primeiros PTs da rede Fitness Hut; era um modelo aliciante mas que, ao mesmo tempo, causava algum medo.
Hoje em dia sou muito realizado e foi lá que conheci a metodologia do Cross Training. Em conversa com alguns dos treinadores desse ginásio começamos a falar sobre o Cross Training mas ainda havia muito pouco informação, tanto no Youtube como no Facebook. Surgiu a hipóteses de irmos fazer o curso, mas como não havia em Portugal, fomos para até Paris.
O meu 1º curso de Cross Training foi um mundo novo e a partir vieram outras formações e experiênciais, conheci imensas pessoas e algumas ficaram mesmo amigas para a vida!
O que é ser coach?
Eu sinto que as pessoas pensam que somos o professor de ginástica! Ser coach é mais do que saber ler um treino. Eu estou hà 11 anos em formação contínua e sinto que ainda tenho tanto de aprender…
Ser coach é uma tarefa para a vida. Se eu hoje estagnar sei que daqui a 2 ou 3 anos serei mais um (ou menos um). Se eu me acomodar, certamente que daqui a pouco muita gente estará ao mesmo nível que eu.
Guio-me sempre pelos que estão no nível acima. Procuro fazer mais formação e ter mais conhecimento. Não dá para agarrar todas as áreas e por isso fechei o meu leque de formações e a minha área de formação.
Como contribui para a elevação da figura do coach?
Focando-me constantemente na evolução, cruzo muita informação com atletas e treinadores de topo mundial e tento seguir os seus exemplos, pois eles estão 10 anos à nossa frente – o que eu senti em 2017 eles sentiram em 2007.
Eu tenho um grande problema, tenho muita dificuldade em fazer aquilo que não gosto. Senti isso na pele nos meus primeiros empregos. A verdade é que a fazer o que faço hoje, me sinto super realizado. E acho piada quando algumas pessoas, independentemente da área, me dizem que não têm tempo e trabalham muitas horas: eu saio de casa todos dias às 6h30 e é raro chegar a casa antes das 21h, trabalho sábados, domingos e feriados.
E chegar a casa e saber que mudamos o dia daquela pessoa e que se calhar a estamos a salvar para um futuro melhor é muito bom.
Acho que um licenciado tem sempre mais ferramentas para trabalhar no mercado, mas aquelas ferramentas não são a chave do sucesso por si só. Uma pessoa que passa 4 anos a estudar uma ciência como a Fisiologia e Exercício, terá mais ferramentas […] mas é preciso que a pessoa vá à luta e acredite que o mercado de trabalho é agressivo! E nunca mais me esqueço do que me disse um colega mais velho na minha queima das fitas: “isto não foi o fim, agora é que está a começar” – e é mesmo isso que eu sinto passados estes anos da minha licenciatura, de facto em 2007 nada tinha acabado, era exatamente ali que estava a começar.
Já não consigo esconder que o Cross Training mudou a minha vida. Eu sempre fiz desporto! Do judo, à natação, futebol, futsal e até triatlo e com nenhum desporto eu senti o compromisso que sinto com o Cross Training. Foi a única modalidade que me fez repensar as minhas horas de sono, o meu horário de alimentação, entre outros, e que todos juntos me levam a ter uma melhor performance e qualidade de vida. Mudou a minha forma de ver a vida e o meu compromisso com a saúde – o treino fez com que eu me respeite mais enquanto pessoa!
CV: Lic. em Ciências do Desporto. Cross Training Coach e atleta
Fonte: Consulte a 2ª edição da Bwizer Magazine