TEF: os protagonistas da sua própria história | Por João Rego (Bwizer Magazine)

Este artigo fez parte da 3ª edição da Bwizer Magazine – pode vê-la na íntegra aqui.

 

Nos últimos 6 anos tive o privilégio de assistir à evolução do mercado do Fitness, trabalhando e aprendendo diariamente, com centenas de Técnicos de Exercício Físico (TEF). Ao longo destes anos, sempre considerei que dedicávamos mais tempo a falar sobre o que nos tornava mais fracos – falta de conhecimen¬to técnico, instabilidade profissional, inexistência de progressão na carreira, p.e - em vez de nos mobilizarmos (todos) em prol da profissão. Parece-me que hoje em dia temos tudo para sermos, finalmente, os protagonistas da nossa própria história. Na minha opinião, há três grandes passos a dar para que isto aconteça.

Em primeiro lugar, a criação de uma Identidade Profissional, que inclui p.e a reformulação dos estatutos da profissão no De¬creto Lei nº39/2012 e a inclusão dos TEF na categoria de profis¬sões paramédicas, passando a ser isenta de IVA, a par do que aconteceu com as terapêuticas não convencionais. Além disso, num momento em que assistimos a uma tentativa de controlo do Exercício Físico por parte da Direção Geral de Saúde, de¬veríamos garantir uma Profissão enquadrada pela lei, para que tenhamos um papel ativo na sua regulação e trabalhemos em conjunto com as estruturas próprias para o efeito, o IPDJ.

m segundo lugar, a união proativa de todos os profissionais sobre o mesmo “chapéu”, servindo de orientação para os TEF que chegam via CET (curso de Especialização Tecnológica), ajudando os TEF licenciados a enfrentar “a realidade” do mercado de trabalho e dando “palco” aos TEF Especialistas para que possam ser as referências da classe, democratizando o acesso à informação sobre as questões legais e tributárias da sua atividade profissional, dotando-os de proteções e vanta¬gens competitivas de diferentes naturezas para que sintam que finalmente têm uma voz na defesa dos seus interesses. Sempre numa perspetiva aglutinadora e não disruptiva.
Por último, aquele que é, na minha opinião, o passo mais impor¬tante e urgente: a credibilização da profissão, sendo que aqui “não chega parecer, é preciso ser”.

TEF: os protagonistas da sua própria história | Por João Rego (Bwizer Magazine)

Credibilização Profissional

No momento em que o mercado do Fitness está em expansão e o interesse pela profissão de TEF aumenta – exemplo disso são as centenas de profissionais de outras áreas que procuram os cursos CET – é essencial, não só a criação de um código deontológico, com princípios, regras de conduta, direitos e de¬veres claros, salvaguardando TEF e clientes, utentes, doentes ou atletas, como também o aumento na abrangência das áreas de atuação dos TEF dentro, e fora do Fitness (performance, au-tarquias, hospitais, clubes desportivos, outdoor, etc).

Como principais agentes na promoção do bem-estar e saúde, através da prática de exercício físico, o incremento do núme¬ro de Profissionais do Exercício terá obrigatoriamente que se traduzir numa responsabilidade acrescida de contribuir para o aumento da percentagem da população que pratica atividade e exercício físico.

Para que isto aconteça, não chega sermos mais, temos que ser melhores. É aqui que a formação e a construção de patamares de qualificações assumem um papel de relevo.

Todos concordamos que o awareness dos TEF para o investi¬mento na sua própria formação tem crescido. Parece-me que nos falta construir as bases para que esse investimento se tra¬duza em progressão na carreira e melhoria das condições labo¬rais, garantindo que para fora seja claro que existe uma valida¬ção das competências do TEF a que o cliente, utente, doente ou atleta está a recorrer.

A visão da APTEF – Associação Portuguesa de Técnicos de Exercício Físico -, preconiza a construção de três níveis de TEF, com níveis de autonomia e responsabilidades ajustadas à espe¬cialização do seu percurso formativo.

Um primeiro nível de TEF que tem por base os Cursos (QNQ/QEQ 5), autónomos para realizar prescrições básicas, desempenhando, p.e, as funções de instrutor de uma sala de exercício e professor de aulas de grupo, em contexto de ginásio, numa autarquia, clube desportivo, etc.

Um segundo nível de TEF que exige formação superior (QNQ/QEQ 6), com autono¬mia total, capacidade para ministrar sessões como personal trainer e prescrever para populações especiais, p.e. Este nível de TEF poderá atuar em contexto de ginásio, outdoor, hotel, autarquias, centros de rendimento, clubes desportivos e farmácias.

Um terceiro nível de TEF especialista, no qual acresce à licenciatura formação espe¬cializada p.e na área clínica ou de performance. É aqui que também se enquadra a figura de Diretor Técnico. Serão estes TEF as referências para as equipas multidis¬ciplinares, atuando em contextos especializados como hospitais, clínicas e clubes de alto rendimento.
Naturalmente que precisaremos de debater – “dentro de casa” – o detalhe desta pro¬posta, assim como também me parece claro, que para estes níveis estarem alinhados com as competências reais dos profissionais correspondentes, será necessário de¬senvolver equipas de trabalho, conjugando as valências entre as entidades formado¬ras e os TEF (via APTEF p.e.) no sentido de rever e atualizar os conteúdos programá¬ticos – CET e ensino superior - ajustando-os às reais necessidades do mercado de trabalho e da sociedade.

Em suma, é urgente a mobilização de todos os TEF, para a legitimação, regulação e estruturação da profissão. A Associação que representa os profissionais do exercí¬cio (www.APTEF.pt) já existe e deverá ser o veículo privilegiado para concretizar as mudanças aqui descritas. O caminho para a valorização profissional deverá obrigato¬riamente passar por mais e melhor formação dos profissionais, que naturalmente se traduzirá no reconhecimento de mais e melhores qualificações e competências, assim como na expansão do leque de atuação da profissão.

Cabe-nos agora assumir a responsabilidade que nos compete, de criar sinergias entre a Saúde, a Educação e o Desporto, para que a sociedade encare a atividade física e o exercício físico como prioritário e deixe de pensar nos TEF como “contadores de repetições”, passando a enquadrar-nos como agentes principais da promoção do bem-estar e saúde, tão importantes como um médico ou fisioterapeuta.

 

Este artigo fez parte da 3ª edição da Bwizer Magazine – pode vê-la na íntegra aqui.

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