Ecografia músculo-esquelética nas lesões musculares: dicas e achados clínicos

As lesões musculares são responsáveis por 1/3 de todas as lesões desportivas. Com efeito, um estudo recente confirmou que numa equipa profissional com 25 jogadores, numa época ocorrem em média 15 lesões musculares, levando a uma média de 225 dias de ausência; de salientar que os dados referentes a outros desportos são semelhantes.

Ora, assim fica demonstrado o quão grande é o impacto lesões musculares sobre a performance desportiva e financeira no deporto.

De uma forma geral, as lesões musculares podem ser classificadas em extrínsecas (contusões e feridas penetrantes, que normalmente se localizam no local do impacto) ou lesões intrínsecas (causadas pela contração e alongamento dos músculos, levando à destruição das fibras musculares sobretudo na junção miotendiosa; mais comuns em músculos com predominância de fibras tipo II).

A avaliação das lesões musculares é composta pela história, exame físico e meios complementares se necessário – sendo que o mais utilizado é a ecografia músculo-esquelética.

A ecografia músculo-esquelética é essencial, tanto para uma avaliação correta da gravidade da lesão, como também para excluir complicações – pelo que é importante para a classificação, tomada de decisão no tratamento, assim como para definir o prognóstico e return to play; sendo normalmente realizado na fase aguda (3 a 7 dias após a lesão) e possivelmente numa fase mais avançada da reabilitação (5 a 7 semanas após a lesão).

Ecografia músculo-esquelética nas lesões musculares dicas e achados clínicos

Como executar? Algumas dicas e considerações técnicas

  •  O paciente deve ser colocado numa posição confortável para facilitar a avaliação transversal e longitudinal das fibras musculares;
  • A ecografia é, por norma, realizada a partir da fixação proximal até à inserção distal, incluindo a junção miotendinosa e entesese;
  • A maioria das ecografias realiza-se de forma “estática”, mas por vezes a avaliação dinâmica do músculo é muito importante;
  • É essencial avaliar o ambiente vascular e elementos nervosos (não esquecer que há um maior risco de trombose venosa como resultado de lesão muscular);
  • A avaliação de lesões musculares requer alta frequência e sondas lineares: as sondas atuais têm uma frequência que varia entre 9 a 18 MHz e pode ser projetado com banda larga e processamento de sinal multifrequencial (a escolha da frequência a utilizar será feita pelo profissional de acordo com situação anatómica, bem como o tamanho e ecogenicidade do tecido muscular - compromisso entre resolução e penetração de sinal);
  • Um outro detalhe importante é o controlo do foco, pois é importante obter imagens com uma boa resolução, para não incorrermos em erros de interpretação; assim, a utilização de múltiplos pontos de foco pode ser útil para uma resolução lateral uniforme e profundidade de campo.

 

Lesões extrínsecas

  • As lesões extrínsecas são clinicamente classificadas como leves, moderadas ou graves com base no comprometimento funcional.
  • Porquê a ecografia músculo-esquelética? É realizado para definir a localização e extensão da lesão e avaliar possíveis compressões das estruturas vizinhas.
  • Achados imagiológicos: numa lesão moderada, por exemplo, a ecografia poderá mostrar um músculo como hiperecoico sem rutura das fibras musculares; contudo as fibras musculares irão parecer desgastadas, envolvendo menos de 50% no plano axial, e será também visível um hematoma envolvendo a maior parte do músculo.

 

Lesões intrínsecas

  • As lesões intrínsecas são classificadas em três classes com base na extensão da lesão:

         - Grau 1: envolve apenas uma pequena parte do músculo

         - Grau 2: lesão parcial que envolve até 3/4 do músculo

         - Grau 3: a lesão estende-se por mais de 3/4 do músculo e este pode mesmo apresentar uma rutura total

  • Porquê a ecografia músculo-esquelética? Permite avaliar a extensão longitudinal da lesão, calcular o volume do hematoma e detetar possível compressão das estruturas adjacentes.

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