Exercícios Hipopressivos – moda ou eficácia?

Exercícios hipopressivos (EH)? Já ouviram falar? Em Portugal, seguindo o Google Trends, é algo suficientemente pesquisado para aparecerem alguns dados, pelo que se ainda não sabem o que é (ou sabem, mas querem saber mais), esta é uma boa altura para tal.

Segundo a Canadian Phisioterapy Association, os EH foram ensinados, originalmente, como uma técnica respiratória a ser utilizada em contexto clínico. Eram usados para ajudar mulheres no pós-parto a prevenir/recuperar de uma disfunção do pavimento pélvico (incontinência, prolapso genital). Hoje em dia já se estudaram os efeitos destes exercícios noutros contextos e os resultados foram bastante positivos, apesar de ainda ser necessária mais investigação.

Um estudo de 8 semanas realizado com uma equipa feminina de râguebi utilizando EH teve efeitos estatisticamente significativos no que diz respeito ao perímetro da cintura, à contração máximo do transverso do abdómen e à contratilidade e tonicidade da musculatura do pavimento pélvico. Não se encontraram diferenças significativas na diminuição da percentagem de massa gorda (Sáez et al., 2016).

Exercícios Hipopressivos – moda ou eficácia? Low Pressure Fitness

Um outro estudo (Ramón et al., 2016) concluiu que, quando os EH são realizados em condições de hipoventilação em sujeitos com experiência de treino em EH, estes induzem mudanças cardiovasculares em resposta à apneia, como na braquicardia, dessaturação arterial do oxigénio e vasoconstrição periférica.

Mas afinal… Em que consiste exatamente a técnica hipopressiva?

A técnica hipopressiva é composta por exercícios respiratórios e de alongamento postural (Rial & Pinsach, 2014) que se executam durante um certo período de tempo, em diferentes posturas, mantidas em isometria ou contração excêntrica (Sáez et al., 2016). O protocolo respiratório do exercício hipopressivo consiste em aguentar a respiração de forma voluntária após ter expirado completamente o volume pulmonar corrente. Realizam-se três intervalos de descanso entre cada apneia, baseados em respirações costais profundas e lentas. Durante a fase de apneia expiratória contrai-se simultaneamente a musculatura inspiratória, de modo a elevar a caixa torácica e produzir um vazio, o vacuum.

Esta é uma técnica que pode ser aplicada em diversos contextos e, consequentemente, em diferentes tipos de pessoas. Há, no entanto, um dado que tem de ser destacado: os EH são contraindicados a grupos de risco com patologias cardiovasculares como a hipertensão arterial, tanto pela realização de apneias intermitentes como pelas contrações isométricas que se realizam durante a sua prática (Ramón et al., 2016), bem como a grávidas.

Assim, os EH podem contribuir para: (i) o tratamento/prevenção de diversos problemas relacionados com uma fraca musculatura do pavimento pélvico (e.g. Incontinência urinária, prolapso genital, disfunção sexual, dor de costas) através do fortalecimento desta musculatura; (ii) a diminuição do perímetro abdominal e; (iii) melhorias no sistema cardiovascular.

Existe mais literatura acerca deste tema, pelo que, se ficaste curioso, pode saber mais aqui.

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