Laserterapia – Muita luz à Fisioterapia por Alexandre Cavallieri Gomes (Bwizer Magazine)

Este artigo fez parte da 2ª edição da Bwizer Magazine – pode vê-la na íntegra aqui.

 

Existe ainda algum ceticismo e são muitos os profissionais que não acreditam na efetividade da luz nos tratamentos. Mas a ver­dade, é que os seres humanos possuem estruturas (intra celu­lares e na membrana celular) capazes de absorver luz, pelo que algumas formas desta energia são capazes de produzir efeitos muito benéficos para a saúde tecidular e sistémica.

 

Produção do LASER

Segundo inúmeros estudos clínicos e científicos, a forma mais eficaz de luz é o laser - uma luz que concentra e transmite uma enorme quantidade de energia.

O maior impulso nas pesquisas e desenvolvimento do laser ocorreu nos anos 1990. Desde então, o número de artigos cien­tíficos sobre o laser não parou de aumentar, havendo a adoção deste recurso terapêutico pela medicina, terapia da fala, odon­tologia, estética e, obviamente, a fisioterapia.

O laser é um método de produção de luz, sendo que este acró­nimo significa Light Amplification by Stimulated Emission of Ra­diation.

A partir daí, é possível produzir-se o laser de alta potência, utili­zado em cirurgias e processos industriais e, felizmente, o laser de baixa potência, utilizado para fotobiomodulação, ou seja, para modular os processos biológicos. Portanto, a pesquisa de diferentes materiais levou à produção de diferentes cores de laser, que produzem efeitos distintos, penetrando nos tecidos a diversas profundidades.

Atualmente, os materiais metálicos são os mais seguros e du­ráveis, além de serem capazes de produzir uma luz potente e passível de produzir efeitos em tecidos a profundidades de 5 a 6 centímetros.

 

Ação nos tecidos biológicos

O laser é capaz de produzir inúmeros benefícios clínicos nos seres vivos (humanos ou animais) porque há nas células estru­turas que absorvem o laser e que levam a mudanças no meio intracelular.

As estruturas que absorvem esta luz são chamadas cromóforos e estão situadas na membrana celular e no interior das células, sobretudo nas mitocôndrias.

Os principais cromóforos para a fotobiomodulação são as cito­cromo A e C oxidase, e a própria mitocôndria.

Ora, se há estruturas que absorvem a luz e levam a mudanças intra-celulares, está completo o ciclo para benefícios em decor­rência do uso do laser.

Laserterapia – Muita luz à Fisioterapia  por Alexandre Cavallieri Gomes (Bwizer Magazine – 2ª ed.)

Ação Terapêutica do LASER

Os estudos científicos sustentam muitas utilizações do laser, das quais podemos destacar:

1. Modulação do processo inflamatório;

2. Analgesia;

3. Estímulo à cicatrização de tecidos moles, nervos e ossos;

4. Prevenção de fadiga nos músculos;

5. Redução dos radicais livres quando usado de forma sisté­mica – ILIB.

1. Modulação do processo inflamatório

O laser demonstrou ser capaz de organizar os processos bio­químicos que acontecem durante o processo inflamatório agu­do, permitindo que as células e estruturas que ficam inibidas pelo ambiente bioquímico inflamatório possam recuperar o seu metabolismo.

Isto, claramente, inclui a normalização do potencial de membra­na das terminações nervosas livres, um dos principais fatores para a analgesia produzida pelo laser. Além disso, ocorre uma clara inibição das células de fago­citose (que não são mais do que células que libertam os mediadores químicos que causam os sinais da inflamação). Entre­tanto, essa ação não impede a ação des­tas células.

2. Analgesia

Além da normalização do potencial de membrana mencionado anteriormente, a rápida melhora da microcirculação e a neovascularização acelerada também contribuem para o alívio rápido da dor.

3. Estímulo à cicatrização

A juntar à melhoria da microcirculação, o maior aporte de ATP produzido pelo es­tímulo nas mitocôndrias faz com que a divisão celular e a síntese de colagéneo também sejam mais rápidas e com me­lhor qualidade. Há resultados excelentes na cicatrização de todos os tecidos, inclu­sivé em utentes diabéticos.

4. Prevenção de fadiga e danos mus­culares

Este aspeto da laserterapia merece um especial destaque! Muitos estudos, de­senvolvidos desde 2005, demonstram que este recurso é uma realidade na prevenção de fadiga muscular e de da­nos musculares causados pelo esforço intenso.

Para além disto, há também uma ex­celente resposta na recuperação pós esforço. Desta forma, o laser tem mos­trado ser um recurso interessante para recuperação, com uma particularidade quando comparado com todos os outros: os melhores efeitos são obtidos quando a utilização é feita antes da prática dos exercícios!

Este efeito protetor produzido pelo laser tem sido observado numa enorme quanti­dade de estudos científicos, incluindo em humanos.

Na minha experiência clínica, os resulta­dos são surpreendentes com atletas de alto rendimento, com utentes portadores de afecções neurológicas periféricas e com idosos. Com efeito, os resultados que obtenho nos treinos de reabilitação destes grupos de utentes foram muito mais rápidos e consistentes a partir do momento que iniciei o uso do laser pré­-treino muscular.

5. ILIB modificado

Esta forma de utilização da laserterapia nasceu nos anos 1970, mas era pratica­da apenas em ambiente hospitalar pela necessidade de inserção intravascular de uma fibra óptica! Entretanto, esforços re­alizados no Brasil, sobretudo no Hospital do Coração e pela empresa DMC, leva­ram à criação de um equipamento portá­til, capaz de produzir os mesmos efeitos da irradiação intravascular, mas com a irradiação externa sobre a artéria radial. Hoje, a realidade é mais ampla, com imenso sucesso nas aplicações sobre a artéria radial, intra nasais e sublinguais (esta última é a mais atual e premiada internacionalmente).

Os efeitos comprovados envolvem o aumento da libertação da enzima superóxido desmutase (SOD), a enzima que elimina os radicais livres que “adoecem” o corpo humano.

Para além dos inúmeros estudos científicos que comprovam esta resposta biológica, na minha prática clínica temos avaliado a percepção dos efeitos do esforço em atletas de alto rendi­mento, sobretudo nos corredores de grandes distâncias e nos corredores de provas de trail; e a verdade é que os resultados me têm encorajado a utilizar cada vez mais este recurso, que potencializou o uso das botas pneumáticas como um recurso de recovery.

Ora, a utilização do ILIB em utentes com dores lombares e cer­vicais crónicas também se mostrou como um excelente recurso na prática clínica, apresentando resultados positivos quando comparámos os efeitos destes tratamentos com os que não uti­lizaram o ILIB.

 

Ação Terapêutica do LASER

A disponibilidade de equipamentos totalmente portáteis e com potência de emissão de 100MW OU 250MW, alta durabilidade e alta qualidade de diodos emissores de laser faz com que este recurso seja possível em clínicas, ambiente de competição, gi­násios e muitos outros contextos.

 

Conclusão

Não é mais possível aos fisioterapeutas e, acredito, aos Pro­fissionais do Exercício, manterem-se à margem do uso da la­serterapia. A ciência e a clínica suportam esta utilização, já há décadas, e cada vez mais.

Partilhe esta notícia