Os testes para a articulação SI servem para alguma coisa?

Recentemente num post de um fórum de fisioterapia, alguém colocava uma conclusão de um artigo muito recente que afirmava que o movimento da articulação sacro-ilíaca (SI) teria uma amplitude muito reduzida- 0,8o de rotação posterior e 0,3o de rotação interna. Isto acontecia quando se efetuava o Active Straight Leg Raise (ASLR) e no ilíaco do membro que estava em repouso.

Esta rotação posterior do ilíaco da perna em repouso é explicada da seguinte forma: os flexores da anca são os primeiros a ser ativados durante o ASLR e provocam uma rotação anterior do ilíaco desse lado (muito reduzida). Essa rotação será contrariada pelo trabalho dos músculos abdominais e também pelos extensores da anca do membro em repouso, o que levará à tal rotação posterior.

Estudos anteriores a este e que utilizam o ASLR afirmam que a estabilização dinâmica será maior no lado do membro elevado (ativação dos abdominais, eretor da espinha e psoas maior, bem como aumento da pressão intra-abdominal, além claro do reto femural) do que no membro em repouso e por essa razão, é mais notório o movimento do ilíaco no membro em repouso. Afirmam ainda que utentes com dor na articulação SI têm uma maior ativação do bíceps femural do membro em repouso, o que poderá ser uma estratégia para evitar o agravamento da sintomatologia, e que explica os resultados encontrados por estes autores.

Os testes para a articulação SI servem para alguma coisa?
Os testes para a articulação SI servem para alguma coisa?

Esta investigação vai ao encontro de outras que mencionam movimentos da SI muito reduzidos e coloca em causa alguns dos testes que são utilizados para esta articulação.

E esta articulação é importante porquê? As dores lombares são uma das principais causas que levam os utentes a recorrer a um profissional de saúde e é aceite que, uma percentagem não desprezível dessa sintomatologia poderá ter origem em alterações ao nível da SI. Para se aferir isso, existem alguns testes que são comummente utilizados no nosso dia a dia como por exemplo o teste de Gillet, o teste de Gaenslen, o teste de distração ou o de compressão.

Tenho a certeza que a maioria dos profissionais que lê este texto conhece pelo menos um deles e possivelmente já o aplicou para perceber o envolvimento da articulação SI na dor lombar. Mas serão estes testes credíveis? Será que eles medem o que pretendemos? Depois de analisar o artigo anterior fiquei curioso e fui ver o que encontrava.

Como suspeitava, não existe um consenso sobre a fiabilidade dos testes que são mais utilizados para a articulação SI sendo que na sua maioria, eles apresentam índices de fiabilidade inter-observador e intra-observador reduzidos, quando efetuados individualmente.

Podemos ver na tabela 1 retirada de um artigo da Manual Therapy exatamente isso. A primeira tabela refere-se aos testes utilizados para despertar a sintomatologia dolorosa e a segunda tabela, refere-se aos testes de mobilidade desta articulação.

Na maior parte dos casos, os autores concluem que os testes não são fiáveis. Num outro artigo mais recente, alguns destes testes parecem apresentar índices de fiabilidade um pouco superiores.

Ainda assim, o que parece fazer sentido, e aí a literatura converge, é que para se efetuar um bom despiste da articulação SI deverá ser efetuada uma bateria de testes, e não apenas um isoladamente. Os resultados obtidos darão certamente mais robustez para se concluir sobre um diagnóstico mais preciso. Apresento aqui um exemplo mas há certamente mais.

Duas notas finais que gostaria de deixar:

      1- Recentemente têm surgido novos testes que apresentam índices de fiabilidade mais elevados como o teste de distração da espinha ilíaca postero-superior e o teste de HABER e que se assumem capazes de diagnosticar, sozinhos, disfunções da articulação SI.

        2- As duas articulações SI´s não são o espelho uma da outra e os seus movimentos, além de muito reduzidos, possuem uma grande variabilidade entre indivíduos e intra-indivíduos quando se comparam as duas SI.

Em jeito de conclusão e respondendo ao título deste texto, a maior parte dos testes clássicos utilizados para a disfunção da SI não parece ter muita efetividade clínica mas, se utilizados dentro de uma bateria com outros testes, parecem ser úteis para dar consistência a um possível diagnóstico da disfunção da articulação SI.

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