Prevenção da úlcera do Pé diabético: Educação ao paciente

Em 2015 a prevalência estimada da Diabetes na população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos foi de 13,3% (mais de 1 milhão de portugueses).

Entre as principais complicações crónicas da Diabetes são destaca-se:

  • Neuropatia e Amputação;
  • Retinopatia;
  • Nefropatia;
  • Doença cardiovascular (DCV).

No que à neuropatia diabética diz respeito, esta é a principal causa de amputação não traumática dos membros inferiores, estimando-se que 85% destas amputações foram precedidas por úlcera.

 

Como educar o paciente para um papel ativo na prevenção da úlcera no pé diabético?

1. Estratégias gerais e de comportamento

  • Sensibilizar para uma dieta rica e variada
  • Ensinar o utente sobre os riscos e malefícios de substâncias como álcool e tabaco
  • Instruir o utente sobre a higiene dos pés:

            - Ter atenção à temperatura da água
            - Secar muito bem os pés e especialmente espaços interdigitais
            - Hidratar os pés diariamente (mas nunca entre os dedos)
            - Utilizar meias que não comprimam o pé e perna, sem costuras e de preferência de lã e algodão
            - Arejar o calçado todos os dias

 

2. Educar o paciente sobre a autovigilância dos pés

  • Diariamente é essencial observar criteriosamente os pés (pode utilizar-se um espelho para ajudar ou pedir auxílio de terceiros) pesquisando zonas de calor, edemas, alterações da pele, …
  • Também diariamente deve observar-se as unhas (unhas encravadas, onicomicoses, …)

 

3. Ensinar o paciente sobre as medidas de prevenção para evitar/ minorar traumatismos nos pés

            - Nunca utilizar calicidas, tesouras ou canivetes para calosidades
            - Cortar as unhas a direito com tesouras curvas (para evitar unhas encravadas)
            - Nunca utilizar limas metálicas (preferir as de cartão)
            - Nunca caminhar descalço (mesmo na praia e mesmo ao sair da cama)
            - Inspecionar o calçado sempre antes de o calçar
            - Evitar toda e qualquer fonte de calor perto dos pés
            - Evitar queimaduras solares nos pés (não esquecer de fazer uma correta aplicação do protetor solar mesmo na planta dos pés)

 

4. Sensibilizar e orientar o paciente para escolha do calçado adequado

  • O calçado deve ser fundo e não deve ser demasiado apertado ou largo
  • O hállux deve ficar a cerca de 1 cm da frente do sapato
  • A largura do sapato deve ser igual à largura do pé a nível da articulação metatarsofalângica
  • Deve ter uma caixa alta com espaço para os dedos
  • O ajuste do sapato deve ser com cordões ou velcro
  • O contraforte deve ser rígido para impedir o desvio do calcanhar
  • O tacão deve ser preferencialmente largo e não excessivamente alto
  • O calçado deve ter uma palmilha amovível
  • A aquisição de sapatos novos deve ser feita ao final do dia
  • O uso de calçado novo deve ser gradual (começar por usar apenas 1 a 2 horas por dia)

 

5. Orientar o utente para se dirigir aos serviços de saúde em caso de flictenas, fissuras, lesões, dor, alterações de cor ou outras alterações neuro circulatórias.

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