Pilates Clínico: Exercício e Reabilitação | Por Francisca Lourenço Gomes

Pilates é uma das metodologias de treino mais procuradas, da qual provavelmente já ouviu falar. A sua evolução tem sido rápida e significativa a nível mundial.

Tem conhecimento deste método? Em que se baseia? A partir do Pilates Tradicional surgiu a necessidade de adaptar os exercícios para que qualquer pessoa conseguisse aprender e executar esta técnica de acordo com as suas capacidades físicas e limitação. Sabia que a essa modificação chamamos Pilates Clínico?

Talvez sejam demasiadas perguntas, mas convido-o a ler os seguintes parágrafos de forma a ficar mais esclarecido!


Pilates – O que é?

É um método de treino que utiliza uma diversidade de exercícios de forma a fortalecer o nosso corpo, alongar os nossos músculos e estabilizar a nossa região lombo-pélvica.

Baseando a sua essência na respiração controlada e na contração dos músculos abdominais mais profundos, o Pilates foca-se na execução correta do movimento e não na quantidade.

 

Pilates Clínico – Principais diferenças

Nos dias de hoje, pelos seus excelentes resultados, o Pilates é uma tipologia de treino com imensa procura e também oferta. Encontramos classes num ginásio, numa clínica fisiátrica, em centros de 'Wellness', ou até mesmo em meio hospitalar.

O que se constata é que o tipo de população que originalmente começou a trabalhar com este método (bailarinos e ginastas), não é o mesmo que procura a sua utilização no presente. Idosos, grávidas e casos clínicos com dor lombar ou disfunções na articulação sacroilíaca, são algumas das histórias mais comuns na utilização destes exercícios.

Assim sendo, surgiu a necessidade de modificar os mesmos, decompondo cada exercício em diferentes níveis de dificuldade, para que cada indivíduo possa iniciar a sua recuperação e aprendizagem em graus mais simples e ir evoluindo de acordo com as suas capacidades e melhorias.

O Pilates Clínico posiciona-se no mercado como uma vertente mais específica para a reabilitação.

 

Princípios do Pilates Clínico

São conhecidos seis Princípios do Pilates Clínico: Centro, Respiração, Precisão, Concentração, Movimento Fluído e Controlo.

Sendo uma técnica que trabalha em conjunto corpo e mente, os dois primeiros princípios são os verdadeiros “heróis”, e aqueles que distinguem o Pilates Clínico de qualquer outra técnica que implique movimento corporal.

  • Centro: os exercícios devem ser executados numa posição confortável da nossa coluna lombar, evitando a anteversão e retroversão da bacia. É essencial manter uma contração constante da nossa musculatura abdominal profunda, mais especificamente, o transverso abdominal, cujo principal objetivo é fornecer suporte à zona lombo-pélvica, durante todo o treino.
  • Respiração: devemos expirar no movimento que causa mais instabilidade à nossa zona lombo-pélvica. Em regra, expiramos quando os nossos membros se afastam do tronco, e inspiramos quando regressam. Favorecemos ainda uma respiração torácica. Como Joseph Pilates disse “Respirar é a primeira ação da vida, e a última...acima de tudo aprenda a respirar corretamente.”
  • Precisão: executar os movimentos de forma eficaz, introduzindo a respiração e a contração muscular durante todo o tempo de treino. Só atingiremos melhores resultados, se a execução do método for correta.
  • Concentração: Estar focado no seu corpo, na sua mente e no exercício que está a realizar de forma a conseguir relaxar e obter um total comprometimento com o método.
  • Movimento Fluído: Todos os exercícios são executados de forma fluida e sequencial, tornando-os apelativos a quem os pratica.
  • Controlo: Controlar o movimento é essencial para trabalhar contra gravidade num colchão, ou contra resistência em equipamentos. Utilizar apenas o esforço e os músculos necessários para determinada tarefa é fundamental para o bom funcionamento do nosso corpo.

Pilates Clínico: Exercício e Reabilitação | Por Francisca Lourenço Gomes
Pilates Clínico: Exercício e Reabilitação | Por Francisca Lourenço Gomes

Como praticar Pilates Clinico?

Existem várias opções para quem deseja iniciar o seu percurso com este método. A mais simples e confortável é o colchão, que permite uma melhor adaptação aos exercícios. É fácil de transportar, podendo até praticar em casa, necessitando apenas de roupa confortável e motivação. A bola, que tão certamente relaciona com o Pilates, é considerada uma peça de pequeno equipamento, que podemos utilizar para variar o nosso repertório de exercícios.

Por outro lado, se quer aumentar o nível de exigência, treinar mais equilíbrio e coordenação tem à sua disposição grandes equipamentos, sendo os mais famosos: Arc Barrel, Cadillac, Reformer e Wunda Chair.

 

Dicas e Cuidados a ter

a. Grávidas:

  • A partir do segundo trimestre, substituir o decúbito ventral pelos quatro apoios; em decúbito dorsal utilizar uma cunha para retirarem o tronco superior do colchão e praticarem os exercícios com uma inclinação mínima de 30º, a fim de evitar situações de hipotensão; o decúbito lateral é um dos posicionamentos mais utilizados junto desta população, uma vez que lhes permite trabalhar glúteos, adutores e abdutores da coxa de forma mais confortável, o uso de uma almofada entre a barriga e o colchão neste decúbito é imprescindível, assim como pedir o movimento de levar a anca em direção aos calcanhares, antes de iniciar os exercícios, no sentido de corrigir a sua postura lordótica habitual.
  • Evitar em decúbito dorsal a posição de “double tabletop” (dois membros inferiores fora do colchão a 90º de flexão da anca e joelhos), optar por subir apenas um membro inferior.
  • Não utilizar “Shoulder Bridge” (exercício em posição de ponte, apoiando os membros superiores, cabeça e pescoço no colchão) 18 semanas antes do parto e 6 semanas após.

 

b. Dor lombar:

  • Em decúbito ventral, ter algum cuidado com casos de espondilolistese, utilizando sempre uma pequena almofada ou toalha entre a zona abdominal e o colchão.
  • A menos que se encontre perante uma situação de dor lombar aguda não especifica, os exercícios de nível 1 e 2 de  Pilates Clinico foram desenhados para causar menos tensão à nossa coluna lombar do que o movimento de se levantar e sentar de uma cadeira, assim sendo está perfeitamente seguro a utiliza-los nesta população.
  • Em situações de rigidez optar por exercícios de mobilidade, que impliquem movimento segmentar vertebral e dissociação entre membros e coluna.

 

c. Idosos:

  • Promover exercícios que desafiem a sua coordenação e equilíbrio, no sentido de fortalecer os seus músculos estabilizadores e prevenir quedas.
  • Evitar exercícios de flexão e rotação exageradas da coluna vertebral, em casos de osteoporose, prevenindo fraturas.

 

Para qualquer uma destas populações, o Pilates Clinico tem sido aplicado no sentido de prevenir e tratar alterações posturais, lesões músculo-esqueléticas e neurológicas. Quando utilizado corretamente e frequentemente modifica o nosso corpo de forma positiva. Desta forma, se pretende aumentar a sua flexibilidade, fortalecer a sua musculatura profunda e superficial, melhorar o equilíbrio, e acima de tudo se pretende otimizar o seu bem-estar, preenche os critérios para experimentar esta técnica e começar a sentir os seus benefícios!

  

📌 Ora, para compreender melhor o que distingue o Pilates Clinico da APPI (Australian Physioterapy and Pilates Institute), aceda abaixo, de forma gratuita, à entrevista aos criadores do método Pilates Clinico da APPI para a Bwizer Magazine.

 

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