5 mitos sobre exercício físico

Basta fazermos uma rápida pesquisa na internet ou abrir algumas revistas para encontrar uma enorme quantidade de informação sobre exercício, treino e vida saudável. Facilmente também veremos que a informação disponível nestes canais não é coerente e que muitas vezes chega mesmo a ser contraditória! É por isso um enorme desafio para o profissional de saúde e exercício educar o seu cliente/ aluno, esclarecendo as suas dúvidas e educando-o para aprender a filtrar a informação disponível...

Hoje partilhamos 5 mitos muito comuns no exercício!

 

MITO 1

Para se manterem hidratados os atletas necessitam de bebidas desportivas (também conhecidas por bebidas energéticas)

A hidratação é um fator decisivo para a performance e recuperação física. Por ser uma variável tão importante, ao longo do tempo vários estudo e uma indústria assente nesta premissa surgiram.

A primeira bebida desportiva criada foi Gatorade, um "cocktail" cheio de açúcares e sais que foi desenvolvido em 1965 para evitar a desidratação em jogadores de futebol da Universidade da Flórida. As diretrizes iniciais da American College of Sports Medicine (1996) apontavam a importância de substituir agressivamente "toda a água perdida através da transpiração".

Contudo, hoje sabe-se que a grande maioria das bebidas desportivas destinam-se apenas às pessoas que se exercitam por mais de uma hora, e o benefício advém principalmente dos açúcares, e não dos fluidos, especialmente se os hidratos de carbono forem um misto de frutose e glicose.

De afcto, a desidratação grave pode colocar em perigo os atletas, mas de acordo com estudos do investigador sul-africano Timothy Noakes, autor de "Waterlogged: o grave problema da superidratação em Endurance Sports", o corpo está mais do que preparado para tolerar uma desidratação leve, enquanto a sobreidratação pode ser mais grave.

Como consequência, o American College of Sports Medicine em 2007 recomendou uma abordagem mais cautelosa: as pessoas que se exercitam por longos períodos devem evitar perder mais de 2% da massa corporal e, dentro desse parâmetro muito amplo, os fluidos que contêm hidratos de carbono podem ser úteis.

 

MITO 2

Para reduzir a gordura abdominal devemos fazer muitos abdominais, especialmente crunches.

Ao longo de muito tempo, acreditou-se que estes exercícios ajudariam a queimar a gordura localizada na "barriga". Contudo, a verdade é que a gordura subcutânea (sob a pele) e visceral (em redor de órgãos) é "queimada" de forma global à medida que o indivíduo aumanta o seu nível de atividade física. O que o exercício abdominal localizado dará origem é a uma hipertrofia e tonificação muscular.

Ainda de salientar que a acumulação de gordura ou a sua perda está fortemente associada a factores hormonais e ao estilo de vida, nomeadamente nível de atividade física e alimentação.

5 mitos sobre exercício físico

MITO 3

Os suplementos de proteína são a única forma de ganhar volume muscular.

Esta ideia está completamente enraizada na nossa sociedade. Desde atletas a simples frequentadores de ginásio, os suplementos de proteína (nas suas mais diversas formas) são comunmente utilizados como pré e pós-treino com o objetivo de maximizar a performance durante o treino/ exercício, a recuperaçãpo pós-esforço e o processo de aumento de volume muscular (hipertrofia muscular).

É verdade que a proteína é essencial para o aumento de volume muscular, pois é o processo da sua degradação que dará origem à hipertrofia do músculo, no enatanto, na grande maioria dos casos (mesmo em atletas de alta competição) a alimentação poderia ser suficiente para suprir estas necessidades desde que o indivíduo conheça as suas reais necessidades energéticas e que adequasse a sua alimentação com alimentos com alto valor biológico.


MITO 4

O exercício de resistência é o melhor para a saúde cardiovascular.

Ainda hoje, a maioria dos profissionais e diretrizes estabelecidas enfatizam os programas aeróbios (p.e. jogging ou ciclismo) como o exercício ideal para a saúde cardiovascular.

Contudo, a evidência mais recente sugere que o treino intervalado de alta intensidade (conhecido universalmente como HIIT) apresenta mais vantagens para a saúde cardiovascular que o de resistência/ aeróbio. Com efeito, o HIIT conduz a adaptações metabólicas e celulares estruturais importantes associadas também ao efeito EPOC: alterações nas mitocôndrias musculares (a potência das células), poder aeróbio máximo e melhorias na gordura corporal (sub-cutânea e visceral) e glicose. Além disso, os treinos de alta intensidade são seguros e eficazes para pessoas com obesidade, diabetes e doenças cardíacas.

 

MITO 5

Quando fazemos exercíco perdemos, obrigatoriamente peso.

Deixamos este mito para último, pois talvez seja hoje o menos difundido. Atualmente, e falando de uma forma muito simples, a grande maioria das pessoas tem a noção que se fizer exercício de forma regular e seguir uma alimentação equilibrada, melhorará a sua saúde, podendo ou não perder peso, mesmo estando a "perder" gordura.
Por outras palavras, uma balança tradicional que apenas faz um fotografia em kgs pode não ser a melhor solução, pois podemos estar a perder gordura e aumentar a massa muscular e, como consequência podemos manter ou até auamentr o peso!

Segundo o The washington Post, a perda de peso é a principal resolução do Ano Novo, já a Forbes diz que "o exercício é crítico na fase de manutenção, o que é bem conhecido por ser mais difícil do que a fase de perda de peso". Com efeito, os dois principais componentes do peso corporal são gordura corporal e massa corporal magra (músculo e osso). Vários estudos mostraram que ainda que o exercício de resistência e HIIT podem reduzir a gordura visceral (conduzindo a um menor perímetro da cintura) e melhorar a aptidão cardiovascular, muitas vezes não resultam em perda de peso geral o que está de acordo com as conclusões de um estudo de 2012 do Journal of Applied Physiology seguiu indivíduos que trabalharam por oito meses e não viram perda de peso apesar de outros benefícios significativos para a saúde.

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